Abstract
O presente artigo apresenta uma reflexão teórica sobre a relação entre viagem e literatura, destacando a evolução histórica da narrativa de viagens e a sua importância enquanto forma de representação cultural, histórica e humana. Desde os relatos medievais de peregrinações e descobertas marítimas até às narrativas contemporâneas, a viagem surge como uma experiência de conhecimento do mundo e de autodescoberta. O estudo aborda os diferentes sentidos do conceito de viagem — enquanto palavra, atividade e prática literária — e evidencia a sua ligação à construção da identidade e da alteridade. A reflexão centra-se igualmente na problemática da classificação da literatura de viagens como género ou subgénero literário, salientando o seu caráter interdisciplinar e multifacetado. Por fim, demonstra-se que a escrita e a leitura podem ser entendidas como formas simbólicas de viagem, permitindo ao escritor e ao leitor atravessar espaços físicos, culturais e imaginários.

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